quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Outra vez



Parece um pesadelo,

Uma alucinação sem fim.

Deitado em meu quarto de hotel

Vejo-te sob o batente da porta.


Outra vez tento fugir.

Mas tua sombra me persegue.

Miro-te pelos vidros das janelas.

Estás parada na calçada,

Outra vez.


Até quando vou ter que esperar

Que pares de me seguir,

Que pares de me privar

De uma tranqüila tarde azul?


Outra vez vejo-me sozinho,

A andar sem rumo pela avenida.

No distante limiar dos monstros de concreto

Olha-me por tuas fendas.


Aquele sorriso dúbio,

Armadilha em que um dia caí.

Aquele andejar vacilante,

Adágio mortal gorgolejante.


Outra vez nos encontramos.

Desta vez estamos sós.

Suas artimanhas não vingam.

Não tente insistir.


Outra vez lhe digo,

Será somente esta vez:

Deixe-me só.

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