Tique-taque... Tique-taque... O relógio inunda a sala com seu tiquetaquear incessante. Oito da noite. Logo ela virá. A mesa já está posta. Dois lugares prontos, dois pratos postos, dois cálices preparados para receber o vinho. Dois lugares vazios... Olho para o relógio que continua com aquele tiquetaquear contínuo... Tique-taque... Tique-taque... Olho pela janela os carros a passar pela rua, quem sabe num deles ela estará, não, ela não virá de carro, mora perto, virá a pé, são poucas quadras, mas parece tão distante... tique-taque... tique-taque... o tempo passa, o tempo não pára, tique-taque... oito e meia, como ela demora, a comida vai esfriar, espaguete ao molho sugo, seu prato predileto, tique-taque, tique-taque, olho o relógio, quando ela chegará? Do outro lado da rua a campainha toca, será que ela vai tocar a campainha ou entrará com a sua cópia da chave? Não sei, só sei que o relógio continua a me torturar com o seu tique-taque, tique-taque... o que vou dizer quando chegar? “Oi, tudo bem?”, “oi”, “sente-se”, “obrigada”, “você está linda”, “oh! obrigada”, “quer um pouco de vinho?”, “sim, obrigada”, “é um vinho alemão, safra de

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